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INFÂNCIAS ROUBADAS: A ADULTIZAÇÃO E SEXUALIZAÇÃO DE MENORES NA INTERNET

O termo adultização, que vem ganhando destaque em diversos portais de notícias, refere-se à exposição precoce de crianças a comportamentos e responsabilidades típicos da vida adulta. Esse processo inclui o uso de vestimentas sexualizadas, maquiagens e a reprodução de falas ou gestos de conotação sexual. Com o avanço das tecnologias digitais, tais comportamentos se intensificaram e se manifestam também no consumo de músicas com letras eróticas e no acesso a influenciadores que produzem conteúdos voltados ao público adulto.


No dia 6 de agosto de 2025, o youtuber e influenciador Felca publicou um vídeo em suas redes sociais abordando diretamente o tema da adultização de jovens na internet. A atitude gerou grande repercussão e viralizou nas principais plataformas digitais. Na mesma semana do lançamento, o assunto chegou a ser discutido no Congresso Nacional e se tornou foco de diversas reportagens, trazendo à tona um tema urgente que afeta a formação psicológica e social das crianças, além de abrir brechas para uma cultura de predadores online.



Em seu vídeo-denúncia, Felca citou casos reais de adultização e sexualização recorrentes nas redes sociais. Entre os mais comentados está o de Kamila Maria Silva Félix, conhecida como Kamilynha, que ganhou notoriedade aos 12 anos de idade por meio de vídeos produzidos pelo influenciador digital Hytalo Santos. Nessas produções, Kamilynha e outros jovens eram expostos a situações vulneráveis e sexualizadas, o que atraiu o interesse de redes de pedófilos que compartilhavam esse tipo de conteúdo. Após as denúncias, o perfil de Hytalo Santos foi desativado, e o influenciador, junto de seu marido, foi preso no dia 15 de agosto de 2025. Ambos seguem sendo investigados não apenas por exploração sexual infantil, mas também por tráfico humano.


Uma das formas de exploração que mais vêm crescendo é o chamado rage bait, ou “isca de raiva”, em português. Trata-se de uma estratégia usada por criadores de conteúdo para gerar engajamento por meio da indignação. Nessa prática, vídeos ou postagens são elaborados com o intuito de chocar ou causar repulsa, abordando temas como discursos de ódio contra minorias, comportamentos criminosos ou a exposição sexual de menores. A reação do público, ao compartilhar o conteúdo por revolta, acaba ampliando sua visibilidade e alcance, mesmo quando a intenção inicial é o repúdio.


Dessa forma, é fundamental que as plataformas digitais aprimorem seus mecanismos de segurança e adotem políticas mais rigorosas de fiscalização, especialmente no que diz respeito à exposição de crianças e adolescentes. Ainda que muitas redes não permitam o acesso de menores de 18 anos, é comum que jovens mintam a idade ou tenham perfis administrados pelos próprios pais, o que reforça a necessidade de educação digital, acompanhamento familiar e responsabilidade das plataformas.

 
 
 

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