top of page

O EFEITO DAS REDES SOCIAIS NO CÉREBRO

2min
4 min de leitura

“As redes sociais são fruto deste desenvolvimento. Elas possibilitam a comunicação entre pessoas a longa distância, além de auxiliar na difusão de informações. Mas será que essa invenção só trouxe coisas boas para a população?” (Lucas Cercal Lazzaris e Giovanni Simões Delsoto).


As tecnologias contribuíram para inúmeros avanços na sociedade, na saúde, na comunicação e na educação. Entretanto, um ditado popular relacionado ao equilíbrio afirma que “tudo que é demais faz mal”. A vida exige equilíbrio constante: comer salada em excesso ou ser obcecado por emagrecer pode fazer mal; com as telas, não seria diferente.


No livro A fábrica de cretinos digitais, Desmurget (2020) argumenta que a tecnologia pode exercer influência sobre as pessoas, tornando-as mais apáticas e prejudicando algumas habilidades cognitivas, além de afetar aspectos relacionados à saúde mental e física. Essa questão apresenta relação com um estudo publicado no American Journal of Health Behavior, no qual os participantes mais envolvidos com as mídias sociais apresentaram maior probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade e depressão.


Na sociedade atual, controlar o próprio uso das redes sociais, assim como o uso feito por crianças e adolescentes, tornou-se uma tarefa difícil. As redes sociais estão presentes na rotina de grande parte da população. Muitas vezes, ao sair para comer ou visitar um lugar, por exemplo, a pessoa se preocupa em tirar uma foto, publicá-la e acompanhar a quantidade de curtidas e comentários recebidos, deixando de prestar atenção às pessoas que estão ao seu lado e ao próprio momento que está vivendo.


Inclusive, sentar-se para ler um livro tornou-se mais difícil para algumas pessoas. Nicholas Carr observou que algo estranho estava acontecendo com ele. Leitor insaciável, percebeu que já não era capaz de se concentrar na leitura como antes. Segundo seu relato, sua ansiedade aumentava diante de qualquer tarefa que exigisse concentração, enquanto seus olhos procuravam a tela do computador ou do celular. O impulso de acessar a internet era quase incontrolável. Carr afirma que sentia que precisava forçar o cérebro a voltar para o texto e que a leitura, antes um hobby natural para ele, havia se transformado em uma luta.


Essa experiência é apresentada em seu livro The Shallows – What the Internet Is Doing to Our Brains (Os superficiais – O que a internet está fazendo com nossos cérebros). Na obra, Carr defende a ideia de que a exposição constante às mídias digitais pode modificar a maneira como pensamos e nos concentramos. Ele e outros autores discutem como o uso excessivo de computadores e de outros aparelhos digitais pode estar relacionado a mudanças na atenção, na concentração e na forma como lidamos com as informações.


Um exemplo pode ser observado entre estudantes de diferentes idades. Ao receberem um trabalho de pesquisa, em vez de buscar informações em fontes confiáveis, compreendê-las e, posteriormente, produzir o próprio trabalho, alguns estudantes preferem o caminho mais fácil: copiar textos produzidos por ferramentas de inteligência artificial sem compreender o conteúdo. Essa prática pode prejudicar o desenvolvimento da autonomia, da interpretação e do pensamento crítico.


Nesse contexto, também pode ser citada a Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025, que estabelece regras para o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos de ensino. A integração da tecnologia à educação tem gerado debates sobre seus impactos pedagógicos. Dispositivos como celulares e tablets podem oferecer oportunidades de inovação e interatividade, mas também apresentam desafios relacionados à distração, à indisciplina e ao cyberbullying.


Em uma entrevista realizada com a professora Indianara, do Colégio Universitário UNIDAVI, ela fala sobre a relação dos alunos com o uso excessivo do celular e os efeitos disso na vida acadêmica, principalmente na aprendizagem de Matemática: “Durante as aulas não é possível utilizar o celular (mesmo que alguns burlem as regras), só que o fato de eles gastarem tanto tempo nas redes sociais acaba prejudicando a sua concentração. Isso porque eles desejam respostas prontas, não pensar (já que nas redes tudo aparece de prontidão).


Além disso, gostam de falar desses assuntos durante as aulas, dos memes que viraram febre e de notícias dos famosos. Tudo isso atrapalha a aprendizagem. Mas, indo além, o raciocínio vem muito da interpretação e dos pensamentos críticos, muitas das vezes, só que na internet tudo é mais fácil. Eles acabam acreditando em tudo sem pensar se aquilo pode ser verdade ou não, sem entender o que vem por trás de cada notícia ou situação. Isso está fazendo com que, cada vez menos, os professores possam aprofundar conceitos e trazer contextualizações maiores, pois os estudantes não conseguem mais interpretar e acompanhar o pensamento educacional.”


Concluímos que saber equilibrar o uso das tecnologias é importante e recomendado. A partir das pesquisas realizadas, algumas atitudes podem ajudar a estabelecer uma relação mais saudável com as redes sociais e os dispositivos eletrônicos:


  1. Estabelecer limites de tempo para o uso de dispositivos eletrônicos e das redes sociais;

  2. Praticar o autocontrole ao navegar na internet e evitar o uso excessivo das redes sociais;

  3. Desenvolver uma rotina equilibrada que inclua atividades offline, como exercícios físicos, hobbies e interações sociais presenciais;

  4. Priorizar momentos de qualidade com amigos e familiares, em vez de se envolver exclusivamente em interações online;

  5. Ser seletivo em relação às pessoas que você segue ou com quem se conecta nas redes sociais, buscando manter relacionamentos positivos;

  6. Evitar comparar a própria vida com as vidas aparentemente perfeitas apresentadas nas redes sociais;

  7. Praticar a gratidão e o autocuidado, reconhecendo as próprias conquistas e o próprio valor;

  8. Estabelecer limites claros para o compartilhamento de informações pessoais na internet, protegendo a privacidade e a segurança emocional;

  9. Desenvolver uma postura crítica em relação às informações consumidas online, verificando sua veracidade antes de acreditar nelas ou compartilhá-las;

  10. Desenvolver habilidades de comunicação interpessoal fora do ambiente digital, fortalecendo os relacionamentos presenciais e reduzindo a dependência da comunicação exclusivamente online.


Portanto, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. As redes sociais e os dispositivos eletrônicos fazem parte da sociedade e podem trazer benefícios para a comunicação, a educação e o acesso à informação. No entanto, quando utilizados de maneira excessiva ou sem senso crítico, podem interferir na concentração, na aprendizagem e nas relações presenciais. Por isso, mais do que abandonar a tecnologia, é necessário aprender a utilizá-la com equilíbrio, consciência e responsabilidade, sem permitir que o mundo virtual ocupe o espaço dos momentos, das pessoas e das experiências que fazem parte da vida real.

 
 
 

Comentários


bottom of page