BROOKLYN NINE-NINE: HUMOR E CRÍTICA SOCIAL NA COMÉDIA POLICIAL
- Viviane Burger
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Conhecida por misturar comédia policial e temas sociais relevantes, Brooklyn Nine-Nine é uma série de televisão do gênero sitcom policial, exibida originalmente pela Fox Broadcasting Company e posteriormente pela NBC, além de estar disponível em plataformas de streaming como a Netflix.
A trama se passa na 99ª delegacia do Brooklyn, em Nova York. A narrativa acompanha o detetive Jake Peralta, interpretado por Andy Samberg, um profissional imaturo, porém extremamente habilidoso, que precisa aprender a respeitar regras e a trabalhar em equipe sob a liderança de seu novo capitão.
A série se destaca por abordar temas sociais importantes, como racismo, machismo, assédio sexual e questões relacionadas à comunidade LGBTQIAPN+, sem perder o humor característico, equilibrando crítica social e entretenimento.
Um exemplo marcante de racismo ocorre no episódio “Moo Moo” (4ª temporada), quando Terry Jeffords, interpretado por Terry Crews, é abordado de forma agressiva por um policial branco em seu próprio bairro. O agente presume que Terry é suspeito apenas por estar caminhando à noite. Ao tentar explicar que mora ali, ele ouve: “Você não parece o tipo de pessoa que mora aqui.” A situação evidencia uma forma recorrente de racismo estrutural.
Ainda no mesmo episódio, as filhas de Terry fazem um questionamento impactante: “Ser negro é ruim? Nós somos negras, vamos nos encrencar que nem o papai?” (T04E16, 2016). A cena convida à reflexão sobre como o preconceito afeta não apenas indivíduos diretamente envolvidos, mas também suas famílias, evidenciando o medo constante de julgamentos injustos baseados na cor da pele.
Outro exemplo relevante envolve a sexualidade da detetive Rosa Diaz, interpretada por Stephanie Beatriz. Ao se assumir bissexual, Rosa enfrenta dificuldades com seus pais, que possuem uma visão conservadora. Em contrapartida, recebe apoio de seus colegas, Jake (Andy Samberg), Amy (Melissa Fumero), Gina (Chelsea Peretti), Boyle (Joe Lo Truglio) e Terry, reforçando a importância de redes de apoio.
A detetive Amy Santiago também compartilha uma experiência de assédio sexual envolvendo um antigo superior hierárquico. Após ser promovida, ele a convida para jantar esperando uma “recompensa” em troca de seu apoio profissional. O episódio revela o impacto psicológico desse tipo de abuso e como situações de poder podem ser distorcidas dentro do ambiente de trabalho.
O protagonista, Jake Peralta, também apresenta traumas pessoais decorrentes do abandono paterno durante a infância. Esse histórico influencia sua dificuldade em lidar com emoções e sua resistência à terapia. Ao longo da série, ele projeta no capitão uma figura paterna, evidenciado em momentos em que o chama, ainda que involuntariamente, de “pai”.
A série também evidencia a predominância masculina em cargos de liderança na polícia. Em determinado momento, Rosa comenta sobre a escassez de mulheres em posições de poder, destacando como isso impacta a percepção e as oportunidades dentro da instituição. Essa crítica reflete desigualdades presentes não apenas na ficção, mas também na realidade.
Outro ponto relevante ocorre quando Rosa decide deixar a polícia para atuar como detetive particular, envolvendo-se em casos que expõem falhas institucionais, como violência policial e corrupção. Além da violência física, a série também aborda formas sutis de agressividade presentes na linguagem e nos comportamentos. Já no episódio piloto (T01E01, 2013), o novo capitão critica expressões preconceituosas, como “serviço de branco”, desafiando ideias enraizadas e promovendo uma revisão crítica de discursos naturalizados.
Diante disso, percebe-se que Brooklyn Nine-Nine consegue abordar problemas sociais complexos dentro de uma estrutura de comédia. O uso do humor como ferramenta de crítica permite ampliar o alcance dessas discussões, tornando-as mais acessíveis ao público. Ainda assim, os temas apresentados revelam que preconceitos e desigualdades persistem na sociedade contemporânea. Como sugere a expressão popular, “seria cômico se não fosse trágico”.
REFERÊNCIAS
ADOROCINEMA. Brooklyn Nine-Nine. Disponível em: https://www.adorocinema.com. Acesso em: 17 mar. 2026.
BROOKLYN NINE-NINE. Série de TV. Criada por Michael Schur e Dan Goor. Fox/NBC, 2013–2021. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Brooklyn_Nine-Nine. Acesso em: 17 mar. 2026.
ROLLING STONE BRASIL. Todas participações do elenco do Saturday Night Live em Brooklyn Nine-Nine, de Bill Hader, Maya Rudolph. Disponível em: https://rollingstone.com.br/noticia/todas-participacoes-do-elenco-do-saturday-night-live-em-brooklyn-nine-nine-de-bill-hader-maya-rudolph/. Acesso em: 17 mar. 2026.
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