MOUNJARO: ATENÇÃO AOS RISCOS E À IMPORTÂNCIA DO USO RESPONSÁVEL
- Viviane Burger
- há 2 dias
- 4 min de leitura
O Mounjaro é um medicamento utilizado no tratamento do diabetes tipo 2. Porém, recentemente, tem sido amplamente utilizado devido à sua eficácia no auxílio à perda de peso. Trata-se de um medicamento injetável, de ação dupla, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly.
Como qualquer tratamento, pode apresentar diversos efeitos colaterais. Entre os mais comuns estão: náuseas, vômitos leves, diarreia, constipação (intestino preso), perda de apetite, inchaço abdominal e azia ou queimação no estômago, sendo mais intensos principalmente no início do tratamento.

O Mounjaro contém uma substância chamada tirzepatida, um fármaco utilizado para tratar obesidade e diabetes tipo 2. Diferentemente de outros medicamentos, que atuam em apenas um receptor, o Mounjaro age simultaneamente em dois receptores presentes em nossas células: o GLP-1 e o GIP. Esses receptores funcionam como “portas” que recebem hormônios naturalmente produzidos pelo intestino após as refeições. O medicamento imita a ação desses hormônios ao mesmo tempo, potencializando seus efeitos.
Em entrevista com o professor doutor Nelson de Mello, formado em Neurociência do Comportamento e doutor em Farmacologia, que atua como professor nos cursos de graduação da Unidavi, foi possível compreender melhor o assunto:
O Mounjaro foi desenvolvido e comercializado pela farmacêutica Eli Lilly com o objetivo de tratar o diabetes. Porém, observou-se que as pessoas perdiam muito peso ao utilizá-lo, o que abriu a possibilidade de seu uso no tratamento da obesidade. Antes, os medicamentos utilizados atuavam na inibição da absorção de gorduras ou eram estimulantes que causavam anorexia.
No uso a longo prazo, é fundamental que as pessoas mantenham acompanhamento médico e pratiquem exercícios físicos regularmente. Isso é importante porque a primeira perda costuma ser de massa magra (músculo). Sem atividade física, o indivíduo pode ficar mais fraco e suscetível a lesões musculares.
A prática de exercícios também contribui para outros fatores, pois o sobrepeso e a obesidade estão frequentemente associados ao desenvolvimento de hipertensão arterial e outros distúrbios metabólicos. A atividade física melhora a ação da insulina e a circulação, ajudando na redução da pressão arterial.
Uma nova droga está sendo estudada, com resultados observados após cerca de 56 semanas (aproximadamente um ano). No entanto, a perda de peso muito rápida pode não ser saudável, pois gera grande estresse ao organismo e pode ocasionar o chamado efeito sanfona.
A longo prazo, ocorre uma readaptação alimentar: a pessoa tende a comer menos e reduz principalmente a compulsão por doces. Esse efeito pode se manter, desde que haja acompanhamento adequado. Não é recomendado utilizar o medicamento sem orientação médica ou em doses inadequadas.
Em curto prazo, os efeitos mais comuns são problemas gastrointestinais, como náuseas, diarreia, constipação e alterações na microbiota intestinal, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico.
Em muitos casos, a microbiota intestinal pode estar relacionada à obesidade. Quando está desequilibrada, pode afetar o sistema nervoso, influenciando fatores emocionais e a sensação de fome. A readequação da microbiota pode trazer benefícios a longo prazo.
Ainda não há muitos relatos sobre efeitos a longo prazo, pois são medicamentos relativamente novos no mercado. No entanto, já existe um uso bastante amplo. Casos mais graves, como pancreatite, foram registrados em situações isoladas, geralmente associados ao uso de doses muito elevadas.
Também estão sendo estudados possíveis efeitos em doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. Há indícios de proteção cardíaca e possíveis benefícios em doenças como Alzheimer e Parkinson, embora os mecanismos ainda não sejam totalmente compreendidos.
Em outra entrevista, com as farmacêuticas bioquímicas Mayara Longen e Deianie A. Tamanini Georg, foi possível compreender melhor a comercialização do medicamento:
O uso do medicamento sem acompanhamento e sem prática de exercícios físicos pode levar a um emagrecimento muito rápido, resultando em flacidez excessiva. Com isso, muitas pessoas recorrem a procedimentos estéticos para amenizar esses efeitos.
Outro problema recorrente é a busca por preços mais baixos sem a verificação da procedência do produto. Há uma grande demanda no Paraguai, onde o medicamento pode custar cerca de 700 reais por mês (dose de 2,5 mg). No entanto, isso pode comprometer a qualidade e a segurança.
A venda do Mounjaro é feita com retenção de receita médica, com registro dos dados do paciente para controle da vigilância sanitária. Nas farmácias, a comercialização intensificou-se nos últimos seis meses, com alta procura diária.
O público-alvo atualmente inclui pessoas com obesidade que desejam emagrecer e, em alguns casos, indivíduos com sobrepeso, mesmo sem diagnóstico formal.
Os valores aproximados do medicamento variam conforme a dosagem. A apresentação de 2,5 mg custa cerca de R$ 1.756,00, enquanto a de 5 mg tem o valor aproximado de R$ 2.114,00. Já a dosagem de 7,5 mg pode ser encontrada por cerca de R$ 3.146,00, e a de 15 mg chega a aproximadamente R$ 3.601,00, evidenciando um aumento significativo no preço conforme a concentração do medicamento.
A caneta injetável Mounjaro é indicada para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, por se tratar de um medicamento potente, seu uso deve ser conduzido com critérios rigorosos, responsabilidade e acompanhamento médico contínuo. Mais do que uma solução isolada, ele integra uma abordagem ampla de cuidado, que envolve mudanças no estilo de vida e monitoramento constante, garantindo não apenas a eficácia do tratamento, mas também a segurança e a qualidade de vida do paciente a longo prazo.
Referências
DROGAL. Mounjaro: preço, para que serve, como usar, efeitos, onde comprar. Disponível em: https://www.drogal.com.br/mounjaro. Acesso em: 03 mar. 2026.
TUA SAÚDE. Mounjaro: para que serve, como usar e efeitos colaterais. Disponível em: https://www.tuasaude.com/mounjaro/. Acesso em: 10 mar. 2026.
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