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ACARNAP: Promovendo a Diversidade Cultural e o Respeito Étnico-Racial na Escola


No dia 26 de maio de 2023, a presidente da Associação Cultural Anastácia da Raça Negra Ação Popular (ACARNAP), Deiziane de Souza da Silva Fontanive, realizou uma roda de conversa com os estudantes do 2° Ano do Ensino Médio a respeito da influência africana na cultura brasileira. A ACARNAP foi fundada em 1990, em Rio do Sul, sendo uma associação sem fins lucrativos, políticos partidários ou religiosos. Foi criada de maneira independente, a partir da retirada dos negros, da chamada comunidade “Negros da Beira”, que estavam presentes no local onde hoje se encontra a Unidavi e arredores.

Durante a conversa, temas como racismo, discriminação e preconceito foram as palavras-chave e, em torno desses termos, refletiu-se sobre descendência e a construção da cultura, tendo como objetivo desconstruir ideias concebidas desde a colonização do Brasil.

Nesse processo de desconstrução, Deiziane aborda diversos termos utilizados incorretamente e que trazem significados e discursos preconceituosos, como, por exemplo, o termo “mulata”, que deriva da palavra mula, um animal híbrido originado do cruzamento entre cavalos e jumentos e que, por esse motivo, são incapazes de procriar, fazendo referência à mulheres que passavam por práticas de mutilação genital na época da escravidão a favor de vontades de seus senhores.

Deiziane evidencia também a frequente confusão entre os termos afrodescendentes e afro-brasileiros, esclarecendo que mesmo que ambos sejam análogos, há uma pequena divergência. Afrodescendentes são aqueles que detêm descendência africana direta. Já os afro-brasileiros, mesmo ainda possuindo origens africanas, descendem de africanos já nascidos no Brasil, sendo envolvidos, dessa forma, em uma miscigenação cultural.

A ideia de trazer essa roda de conversa para a sala de aula, surge de um trabalho realizado no componente curricular de Arte em torno da influência da cultura africana na cultura brasileira. Desde 2003, a Lei 10.639 determina que em estabelecimentos de Educação Básica, torna-se obrigatório o ensino de história e cultura indígena, africana e afro-brasileira, com intuito de promover uma reparação histórica e propiciar uma troca de conhecimentos sobre a cultura africana por meio do protagonismo de pessoas negras, possibilitando o compartilhamento de vivências pessoais, promovendo, nos envolvidos, o sentimento de empatia e mostrando que é algo presente na sociedade, apesar de que, muitas vezes, esse tema não é pautado de forma qualificada.

Entre as conquistas da ACARNAP a nível da região do Alto Vale do Itajaí, a cidade de Rio do Sul adotou o Dia da Consciência Negra instituída pela Lei n° 4435/2006, em conjunto com a comenda “Escrava Anastácia”, valorizando a cultura afro-brasileira na região. À ACARNAP somam-se outros coletivos de consciência negra na luta por igualdade étnico-racial no estado de Santa Catarina, visando promover a construção de uma sociedade mais justa para todos.








 
 
 

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