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Memória e Identidade de Rio do Sul: Costumes e tradições das etnias que construíram nossa história.

No início do ano letivo de 2024, os estudantes que compõem o Itinerário Formativo de Sociedade e Cidadania do Colégio Universitário Unidavi visitaram a Fundação Cultural para uma exposição sobre o processo de colonização de Rio do Sul, guiada pelo historiador Jonas Felácio Júnior.

A exposição "Memória e Identidade de Rio do Sul: Costumes e tradições das etnias que construíram nossa história" ofereceu aos estudantes a oportunidade de conhecer mais sobre o período colonial da cidade. Foi possível reconhecer e refletir sobre as violências que os povos originários e pessoas em situação de vulnerabilidade sofreram, e entender as raízes dos costumes não apenas da cidade de Rio do Sul, mas também da região do Alto Vale do Itajaí, provenientes das tradições europeias, italianas e alemãs. Dito isso, a exposição concentrou-se em três eixos: A colonização e os indígenas, a Comunidade da Beira e os povos europeus.


A Colonização e os Indígenas


O ano de 1892 marcou o início do processo de colonização da região que posteriormente seria conhecida como Rio do Sul, com a chegada da primeira família de imigrantes alemães, a de Francisco Frankenberger. Os europeus foram atraídos ao Brasil pelo uso de propagandas que prometiam uma vida melhor, com mais qualidade de e oportunidades no país. No entanto, ao chegarem, surpreenderam-se com uma terra já habitada pelos povos originários. Assim, inicia um período marcado por violência e discriminação contra os indígenas.

Infelizmente, o processo de colonização teve consequências devastadoras para a cultura dos povos originários, tirando além das suas vidas, muitos de seus costumes e tradições. Os indígenas foram forçados a adotar o modelo de vida europeu através do aculturamento, que impôs suas tradições, costumes e fé de maneira violenta, invalidando a sua cultura. Além disso, a violência praticada pelos “bugreiros”, pessoas contratadas para exterminar os indígenas, contribuiu significativamente para a diminuição da população nativa, recebendo por dentes e/ou orelhas retiradas dos mortos.

No presente, as consequências do período de colonização de Rio do Sul são evidentes. Além da diminuição da população indígena, é notável como sua presença na sociedade é apagada, desde seus costumes e tradições até sua representatividade nos cargos públicos. Dessa maneira, é perceptível os efeitos da colonização na região. As feridas coloniais ainda não se fecharam completamente.



A Comunidade da Beira


A comunidade da Beira também foi uma população que sofreu discriminação étnica, socioeconômica e cultural na cidade de Rio do Sul. O nome “Beira” se originou porque viviam às margens do rio Itajaí-açú, onde atualmente está localizada a Unidavi. 

A Beira era formada por famílias, em sua maioria negras, em situação de vulnerabilidade social e econômica, que vieram em busca de uma vida financeira melhor. Porém, devido ao preconceito predominante na cultura daquela época, não conseguiam trabalho fixo e tinham que se esforçar muito para se sustentar. Por causa disso, suas casas eram muito humildes, muitas vezes sem um chão ou teto adequado e sem saneamento básico.

Na década de 1970, grande parte da população desejava o fim da comunidade, então sofreram um deslocamento forçado, mas foi somente na grande enchente de 1983 que a maioria das pessoas mudou-se para outros lugares ou retornou para suas cidades de origem. Hoje a comunidade em si não existe mais, porém, ainda existem pessoas que têm alguma ligação com a comunidade.


Os Povos Europeus


Os imigrantes europeus que vieram para a região, majoritariamente alemães e italianos, expressavam os costumes e tradições das suas terras natais. A cultura, as vestimentas, a gastronomia, a linguagem, as tradições e as festas remetiam ao antigo continente. As festas tradicionais eram muito populares, envolvendo jogos, danças e músicas típicas. Na época, também faziam carnaval de rua pela cidade, que se estendeu até a década de 1990.

A indumentária tradicional europeia teve que ser adaptada ao chegar no país. Devido ao clima subtropical, as roupas com tecidos mais grossos foram substituídas por outras com tecidos leves para maior conforto e higiene.

Porém, entre os imigrantes existiam rivalidades. O choque cultural entre os italianos e os alemães gerou conflitos e essas diferentes visões de mundo impactaram suas relações. Dessa maneira, os relacionamentos entre alemães e italianos eram desaprovados e, muitas vezes, os casais tinham que fugir para viver sem julgamento.

Foto: Família de Francisco Frankenberger.

 
 
 

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