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Por que as Teorias da Conspiração Exercem Fascínio sobre as Pessoas?

Você já ouviu falar na teoria de que existe uma cidade secreta na Amazônia chamada “Ratanabá”? E sobre a Terra plana? Essas e tantas outras teorias duvidosas, que são criadas a todo momento e se espalham de forma consideravelmente rápida, podem ter uma explicação para existirem.


De acordo com o blog da Ecycle, as teorias da conspiração podem ser definidas como tentativas de explicar eventos que envolvem a humanidade, avanços tecnológicos e acontecimentos até então misteriosos. Em geral, elas são versões de fatos que algumas pessoas acreditam estar sendo escondidos da população por razões maiores.


Mas, apesar de tudo, essas teorias têm alguns motivos para existirem. Primeiramente, o ser humano é naturalmente curioso e quer estar ciente de tudo o tempo todo. Para preencher esse sentimento, surgem teorias que afirmam o senso de pertencimento, descoberta e exclusividade. Normalmente, essas afirmações são absurdas, como a que diz que a ex-rainha Elizabeth II não era humana, mas sim uma "reptiliana."


As teorias da conspiração abrangem uma variedade de temas, desde o negacionismo de fatos históricos ou científicos (como a teoria de que o homem não chegou realmente à Lua) até complôs de elites poderosas com o objetivo de dominar o mundo (como a famosa teoria dos "Illuminatis"). Elas também se estendem a especulações sobre a vida ou a morte de celebridades, como as teorias de que a cantora Avril Lavigne foi substituída por uma sósia ou de que Michael Jackson está escondido no Brasil. Essas teorias, muitas vezes absurdas, atraem pessoas que buscam justificar ou explicar situações desconhecidas ou fora de seu controle.


Embora sejam diversas e diferentes, essas teorias possuem alguns pontos em comum: normalmente envolvem uma ameaça direta ou indireta à humanidade, são carregadas de emoção e carecem de evidências, o que, em vez de desmentir e enfraquecer a teoria, tende a torná-la mais atraente para os conspiracionistas. Essas teorias atendem às necessidades humanas de controle, compreensão e pertencimento, diz o blog Ecycle; elas oferecem uma espécie de conforto às pessoas.


A psicóloga e pesquisadora Cordelia Fine, no livro Ideias próprias: como seu cérebro distorce a realidade e o engana (2008), afirma que nosso cérebro naturalmente busca interpretar, estabelecer conexões e encontrar padrões entre eventos e situações, o que pode nos levar a enxergar relações que não existem. Essa capacidade, embora útil em muitos casos, nos torna mais vulneráveis a acreditar em conspirações, especialmente em situações de incerteza, ameaça ou insegurança.


Além disso, de acordo com o blog Medium (2021), as teorias da conspiração apelam ao desejo humano de exercer nossas faculdades morais e de entender o mundo entre certo e errado. Frequentemente, essas teorias apresentam uma lógica dualista, onde o bem e o mal são claramente definidos. Muitas vezes, elas criam uma narrativa em que o "vilão" é alguém que quer fazer mal aos inocentes, enquanto o "herói" é uma vítima que luta para superar esse mal. Esse tipo de história é atraente porque o público se vê no papel do herói, buscando justiça. Afinal, ter alguém para culpar transmite a sensação de que é possível consertar as coisas e de que ainda existe esperança.


Embora muitas vezes cômicas e absurdas demais para se acreditar, as teorias da conspiração representam um risco real para a sociedade. Elas têm o potencial de comprometer a confiança da população nas instituições governamentais, mesmo quando não estão ligadas diretamente às histórias (Douglas, Sutton, Cichocka, 2017). Um exemplo recente é a onda de teorias conspiratórias que surgiu durante a pandemia de COVID-19, e que ainda circula pelo mundo.


A propagação dessas crenças pode levar a um posicionamento dogmático das pessoas, criando um clima de desconfiança e paranóia. Atualmente, esse problema é agravado pela disseminação de notícias falsas e pela tendência de tirar conclusões precipitadas sem verificação de informações.


Diante desse cenário, torna-se fundamental implementar medidas eficazes para conter a disseminação dessas teorias da conspiração e impedir que, de alguma forma, elas comprometam a estabilidade dos âmbitos políticos, sociais e econômicos. Isso inclui a promoção de iniciativas educativas que fortaleçam o pensamento crítico e a alfabetização midiática, capacitando as pessoas a identificar informações falsas ou manipuladas. Além disso, é necessário que instituições governamentais e plataformas digitais reforcem a transparência e o combate à desinformação, criando mecanismos que desestimulem a propagação dessas crenças. Somente por meio de um esforço coordenado entre educação, mídia e políticas públicas será possível mitigar os impactos negativos dessas teorias e preservar a coesão social e a confiança nas instituições democráticas.


Referências


ABRAMS, Zara. What do we know about conspiracy theories?. [s.l.], 2020. Disponível em: <https://www.apa.org/news/apa/2020/conspiracy-theories>. Acesso em 11 jun. 2024.


DOUGLAS, Karen M.; Sutton, Robert M.; Cichocka, Aleksander. The Psychology of Conspiracy Theories. In: Current Directions in Psychological Sciences. v. 26. Kent, England. 2017. pp. 538-542. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5724570/>. Acesso em 28 mai. 2024.


NETO, Emílio G. Teorias da conspiração: o que há de fato por detrás delas? In: Medium. [s.l], 2019. Disponível em: <https://medium.com/emiliogarofaloneto/teorias-da-conspira%C3%A7%C3%A3o-o-que-h%C3%A1-de-fato-por-detr%C3%A1s-delas-60b6c76388f6>. Acesso em 11 jun. 2024. 


OLIVEIRA, Francine. Porque teorias da conspiração prosperam? In: Medium. [s.l.], 2021. Disponível em: <https://medium.com/@fran.oliveira/por-que-teorias-da-conspira%C3%A7%C3%A3o-prosperam-70077e982edf>. Acesso em 11 jun. 2024.


TEORIA da Conspiração e a paranóia coletiva. [s.l.], [s.d.]. Dispível em: <https://www.ecycle.com.br/teoria-da-conspiracao/>. Acesso em 28 mai. 2024.


 
 
 

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